Quando angarias uma casa a primeira coisa que pensa é que tens que fotografá-la certo?! Antes, normalmente, o proprietário faz-lhe uma pequena visita guiada pela mesma para que vejas o imóvel. O que fazes? Vê ou olhas? Olhar é diferente de ver, olhar implica em ver com atenção. Faz-se uma escolha quando olhas.

Diariamente mergulhamos em um mundo, uma avalanche de imagens. Há uma estimativa de que ao fim de 2017 terão sido descarregadas 14 trilhões de imagens na internet. Já afirmam que o crescimento de imagens de 2016 para 2017 irá rondar os 9% e que está diretamente relacionado ao número de pessoas que possuem telemóveis. Entre as maiores redes de divulgação temos o facebook, whatsapp, Google search e instagram. Em meio a este “bombardeamento” de imagens, as primeiras questões se impõem: porque gostamos mais de umas fotografias em detrimento de outras? Porque algumas são mais compartilhadas? Porque algumas imagens não nos saem do pensamento? É aqui que começo a lição número um: a cultura visual.

Antes de falar sobre a cultura visual, devo sugerir-vos uma pergunta a ser feita a si próprio: – Gosto do que faço ou faço-o somente por dinheiro? Se a resposta for a segunda, esqueça, contrate um fotógrafo full time e ponto final. Se, entretanto, a mediação é algo que descobriste recentemente, um caminho pelo qual deseja aventurar-se ou é, e sempre foi, a sua paixão; talvez haja uma chance para aprender ou fazer melhor a fotografia imobiliária, ainda que com o seu telemóvel!

Na minha experiência, quando fazemos o que desejamos fazer, com ou sem paixão, mas sempre com um objetivo, buscamos aprender as melhores ferramentas disponíveis para o alcançar o mesmo.

Voltemos então para a cultura visual. No âmbito da cultura, precisamos responder à seguinte pergunta: quem sou eu? Saber o que gosto, meu potencial, minhas limitações, minhas capacidades, o que me encanta, o que me desaponta e tudo que faz parte de um autoconhecimento, reflete em absoluto na nossa forma de olhar, ou seja, na nossa escolha. Daí ter-vos contado no artigo anterior a minha trajetória para chegar à fotografia imobiliária.

O meu olhar, a minha escolha de como, quando e o quê eu vou fotografar na área imobiliária está intimamente relacionado à minha experiência enquanto consumidora/proprietária. Os imóveis (residenciais ou comerciais) do Rio de Janeiro e de outras cidades onde vivi no Brasil, em muito se diferenciam dos daqui. Entre os inúmeros exemplos, algo impensável para mim, eram as casas de banho sem janela. É fato que já tinha visto e até utilizado em alguns países que visitei, mas morar… bem, morar e ter que usar uma casa de banho sem janelas, isto foi outra coisa. Para piorar só podia acontecer uma coisa mais: ter o mínimo de metros quadrados possível. Pequeno, sem janelas e com pouca luz, como eu poderia fotografar uma casa de banho e ainda mais sendo um lugar onde eu não suportava estar? Com objetivas de grandes ângulos (grande angular, como se diz na fotografia) eu poderia o fazer, mas a distorção seria abusiva. Após muito pensar, sendo eu menina que subia em árvores, decidi subir em bancadas, escadas, bancos e/ou qualquer coisa que me colocasse na altura que tonasse possível fornecer, pela fotografia, a noção do espaço da casa de banho. Ainda lembro de um jornalista, pessoa que eu respeito até os dias de hoje pela sua paixão pela fotografia, dizer-me que era das fotos que ele mais gostava quando via as casas publicadas no facebook. Espantava-o que eu fizesse isso, que eu desse o meu melhor pela fotografia imobiliária. A mim, não. Eu consegui e sou feliz por isso!

A Cultura Visual

Quando entro em uma casa ou um espaço comercial para o fotografar busco ver o melhor do imóvel. Desde a orientação solar até o seu estado. Permito-me olhar para cada detalhe. Como com os humanos, se os espaços são velhos, olho com respeito para as suas rugas e transmito a beleza delas. Se são novos, apenas mostro-os como são, com desperdícios ou não. Entretanto, seja como for, há algo que é muito meu e aparece nas fotografias: o respeito pelo imóvel, por seu proprietário, pelo consumidor. A minha fotografia é resultado da minha escolha do olhar, da minha relação com o espaço fotografado e do quê quero tornar visível. Como vos disse, os imóveis são como as pessoas, possuem qualidades e defeitos. Quando estás frente a um objeto a ser fotografado, o que lhe chama atenção? Consegue identificar o porquê?

Não existem relações perfeitas, portanto, não busque a perfeição. Busque o melhor daquilo que está à sua frente. Na sua relação com o objeto a ser fotografado o que desejas mostrar? Este desejo possui uma origem e essa origem, que está em sua forma de olhar, aparece na imagem. A imagem produzida, passa então a ser o objeto da mediação, aquilo que se interpõe entre o que desejas mostrar e aquele que quer ver, o consumidor. A imagem é o que provoca e produz respostas. Por isso, ao ver uma fotografia que realmente detém o seu olhar, a questão que se impõem a seguir é: quem é o autor? Quem fez uma imagem tão linda e que me captura o olhar?

Neste ponto aparece o sensível, aquilo que na imagem nos afeta, que é capaz de modificar comportamentos e de despertar desejos. Ora, é isso mesmo que queremos com as nossas imagens, estimular o cliente a interessar-se pelo nosso imóvel e possivelmente realizar um negócio. O cliente vai atrás do consultor!

Uma casa é feita de retas e curvas. São nestes aspectos que devemos nos concentrar. Qualquer pessoa que procure uma casa não está interessada em saber tudo de uma só vez. É como um namoro. Há um primeiro contacto com o olhar, depois algumas palavras, a seguir um encontro, um toque… outro… até que vem o compromisso. Mesmo assim, há portas que não precisam ser abertas, gavetas que não necessitam ser puxadas e maquinários que não interessam ser escrutinados. Procuramos uma casa para estar, um terreno para sonhar, um comércio para realizar ou ainda um investimento para garantir o futuro. Há sempre uma busca, um desejo.

Escuto diariamente que as minhas fotografias mentem. Não é verdade. As pessoas é que não sabem mais olhar. Está tudo lá, tudo que é preciso mostrar. Desde o espaço como um todo até os detalhes. A diferença está na forma de olhar. Eu, para além de olhar para os espaços e sonhar com os mesmos, estudo a luz. Brinco com as inúmeras imagens que dançam no meu cérebro, local onde habitam as fotografias que já foram realizadas por mim e por outros. A cultura visual já existe em cada um de nós, basta mergulhar em si próprio e no mundo de imagens que vivem em si para dar-se conta dela. As boas imagens ficam em nós, na nossa retina. Elas tornam-se o recurso. São as ferramentas que dão base ao nosso olhar e na construção das imagens que iremos fazer.

Quer perceber isso melhor? Responda-me de forma rápida e silenciosa: qual o melhor horário para fotografar a sua casa? O que você gostaria de mostrar? O que pensa que valoriza? O que desqualifica? Que sentimento despertei em ti ao lhe propor isso? Agora vá, fotografe, mostre aos mais queridos, aos estranhos. Pergunte aos que já viram o espaço se é assim que eles vêem a sua casa, se é o retrato fiel, se está mais bonita ou mais feia. Que fotografia ele gosta mais. Ouse perguntar tudo e ouvir o imponderável.

Depois de tudo isso, escreva-me e tire as suas dúvidas quanto a estas ou mais questões relacionadas ao artigo de hoje. Estou disponível para pensar contigo a tua imagem e ajudar-te a conhecer ou melhorar a sua cultura visual. Concluindo esta primeira lição estamos prontos para pegar a câmera, telemóvel, tablete ou o que quer que seja para seguirmos juntos neste belíssimo ato que é fotografar.

Uma resposta a “A Cultura Visual

  1. Nós somos visuais, os clientes são visuais, todos somos visuais. O investimento em boas fotografias é dos que tem maior e melhor retorno.

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