Quando Nuno Caetano me convidou para fazer uma assinatura no Blog Imobiliário acerca da fotografia de imobiliário para os consultores, exatamente naquele instante, senti que alguém por fim havia compreendido a cruzada que iniciei há anos atrás. A fotografia imobiliária, seja de que imóvel for, é a primeira ferramenta para a mediação imobiliária dos dias de hoje. A resposta para o convite de Nuno não poderia ser outra: sim. Entretanto, antes de mais, preciso contar-vos um pouco do meu trajeto, como cheguei à fotografia imobiliária para que possam compreender o que virá a seguir.

Há exatos nove anos e seis meses atrás, quando soube que iria viver em Lisboa, vivenciei uma das maiores angústias de quem sai de seu país: a busca de um novo espaço para viver e organizar-se, ou seja, uma casa, um lar. Eu e meu marido, Andrey, iniciamos a nossa pesquisa de imóveis em Lisboa (ainda a viver no Rio de Janeiro), nos mais famosos sites imobiliários de Portugal.

Em sua maioria, as fotografias do interior das casas não me permitiam perceber o imóvel, nem mesmo com a descrição que por vezes também era incompleta.

Um consultor acompanhou-nos por quase dois meses depois que cá estávamos. Dizer que foi das piores experiências de minha vida, seria pouco para descrever este período. Desde o total desinteresse do consultor em compreender o que estávamos em busca, passando pelas desanimadoras fotografias dos imóveis até as diferenças culturais relativas aos espaços, tudo era motivo para eu não desejar sair do hotel no qual me encontrava.

Foi assim que comecei a conhecer a grande Lisboa e algumas de suas casas. Quando já não mais acreditava encontrar, Andrey mostrou-me as fotos de um apartamento nas Janelas Verdes (Santos) que me fez, apesar do total desânimo, deslocar-me até o mesmo para conferir. Nem de longe era o tipo de apartamento que eu queria para viver, mas quando entramos no apartamento Andrey foi arrebatado pelo encanto do moderno, pela vista do apartamento e pela gentileza do Senhor Proprietário. Na visita, ali mesmo, selamos verbalmente o contracto.

Após um ano, compreendi que não poderíamos ali continuar e recomecei a busca, já mais ambientada com a cidade e a arquitectura. Foram quase dois meses de procura e, novamente, foram as fotografias de uma casa em Campo de Ourique que me levaram a visitar o apartamento. As fotografias condiziam com a luz e a amplitude do que estava a ver e a sentir. A impressão foi tal que decidimos ficar à espera da saída do inquilino que lá permaneceu por mais dois meses. Exatamente neste período de transição de casas tomei a decisão de fazer um curso profissional de fotografia. Ao longo do curso duas áreas despertaram o meu interesse: a fotografia de Arquitetura e Interiores e o Fotojornalismo. Em alguns trabalhos do curso, consegui unir as duas e o resultado, a meu ver, foi espetacular. Resultou na minha primeira exposição individual.

Já quase ao fim do curso, ansiosa para trabalhar e com o objetivo interno de desenvolver um trabalho com as fotografias do imobiliário, observei que o facebook começava a ser uma ferramenta para divulgar os trabalhos das pequenas empresas. Fiz uma pesquisa e seleção das “imobiliárias”, empresas novas e empreendedoras, com quem poderia desenvolver o conceito de fotografia imobiliária que pretendia. Enviei mensagens a propor parcerias e a dizer que eu tinha uma ideia que poderia contribuir para melhorar a imagem da empresa. Uma delas mostrou-se interessada em minha proposta. Estavam a iniciar um negócio somente no facebook e demonstraram total interesse em ouvir a minha proposta. Em quase dois anos de trabalho juntos, ambos crescemos, eu e a Homelovers. Tornei-me conhecida como a fotógrafa da Homelovers. Não era conhecida pelo meu nome, mas sim pelo conceito que ali desenvolvi: fotografias que davam prazer de ver, que captavam seguidores para a página e que, por fim, conduzia os que estavam em busca de uma casa a agendar uma visita ao imóvel.

A minha primeira sessão fotográfica para a Homelovers

A minha primeira sessão fotográfica para a Homelovers

Assim começou a minha cruzada no universo imobiliário. Digo cruzada devido ao fato da grande maioria dos envolvidos na mediação não valorizarem ou não compreenderem a importância de se ter boas fotografias de um imóvel, seja ele residencial ou comercial. Esse será um dos objetivos desta assinatura, esclarecer e de certa forma facilitar a educação quanto as imagens. Contudo, na minha experiência, percebo que em sua maioria, apesar de saber da importância da fotografia para a mediação, os consultores ainda não assimilaram este valor como uma verdade e um possível diferencial do seu trabalho. Sei que muitos de vocês neste instante estão a justificar que isso se deve ao valor cobrado pelos fotógrafos, que os preços são caros e quem devia pagar por isso eram as agências.

Outros vão dizer que os proprietários não permitem e outros ainda, dirão que não há boas fotografias porque não há tempo! Bem… esta última desculpa, ao menos parcialmente, é mesmo verdade.

Após alguns anos a trabalhar neste setor compreendo melhor o dia-a-dia de um consultor. De fato, o melhor seria sempre contratar um profissional da fotografia. Entretanto, também é um fato em que há momentos em que isso não é possível ou que é um valor demasiado para o valor que será recebido na mediação.

Nestes casos, sim, saber o básico sobre como fotografar e todos os recursos disponíveis para o tratamento da imagem, muito podem ajudar para tornar melhor o vosso trabalho. Ainda assim sei que fica a questão: sou mediador e não fotógrafo, que diferença faz a fotografia?

Há muito, pelo menos desde a crise de 2011, que não havia tanto interesse em Investir em Portugal. Neste momento a economia cresce a olhos vistos, o país tornou-se objeto de interesse de muitos. Semanalmente, em diferentes meios de comunicação, Portugal é reafirmado como um dos melhores sítios para se viver. Portugal é lindo! – Esta é a frase mais comunicada nos últimos tempos. Isso reflete-se no ramo imobiliário, a procura está maior do que a oferta. Angariar tornou-se um desafio.

A competitividade aumentou assustadoramente. Portanto, é o atendimento de melhor qualidade e marcado pelo diferencial, o que definitivamente atrai o cliente proprietário, comprador ou arrendatário. Entre os diferenciais que tornam ou não uma imobiliária e/ou um consultor elegível aos olhos de um cliente, está a fotografia do imóvel. Isto porque a fotografia é a apresentação primeira de um imóvel. Com algumas exceções, é a fotografia a responsável pelo interesse dos envolvidos na mediação, são efetivamente o primeiro elo entre as duas partes: proprietário e consumidor.

Não há quem conteste que vivemos em um mundo cada mais tecnológico, mais digital. A internet veio estabelecer uma nova ordem quanto ao Ser, Estar e Relacionar.

Contudo, como seres humanos que somos, os sentidos são primordiais em nossas vidas e, mais do que sempre e como sabem, é a visão quem comanda todos os outros sentidos nesta era. Isto ocorre devido ao fato neurológico de que a visão e o cérebro trabalham juntos, ou seja, uma imagem estimula cerca de 130 milhões de neurónios o que resulta em aproximadamente 65% da nossa atividade cerebral diária.

Nosso cérebro é estimulado tão rapidamente que sequer temos tempo de interpretar o que vemos, apenas percebemos e reagimos. Assim sendo, mais do que sempre, as boas imagens geram impressões no cérebro que podem conduzir ou não o corpo humano a uma reação, ou seja, ao segundo passo do processo: a visita e, por fim, a conclusão do negócio.

Em resumo, a boa fotografia é um instrumento primordial na angariação, promoção, venda, arrendamento ou investimento e, também, na fidelização do cliente. Então diga-me: faz ou não sentido ter boas fotografias para que o cliente dê o primeiro passo na sua direção?

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