Uma semana após o fim do salão imobiliário, ainda encontro-me inundada de imagens que ali vi, vivi e retratei. Desde ver e fotografar os agentes imobiliários que apresentavam-se diferentes a cada dia, passando pelos distintos stands e seguindo até as mais diversas plataformas de apresentação de uma casa, tudo foi impressão.

Tudo deixou uma marca em mim, uma lembrança a ser revisitada.

Antes do salão acontecer, escutei da parte dos consultores que aquilo, o salão imobiliário, era uma feira de vaidades. É sempre muito do mesmo e que normalmente havia uma determinada empresa, aquela que tem verdadeiras “máquinas de vendas”, a ter um stand gigante a oprimir todos os outros.

Sublinho: minha experiência foi diferente. Talvez por estar mais envolvida, talvez por ter trabalhado não unicamente como fotógrafa, talvez porque aprendo um pouco mais a cada dia sobre o mundo do imobiliário e fascino-me com este que é na verdade um universo.

Assim sendo, começo este artigo por abordar o assunto sob o qual falei nos últimos dois artigos: a imagem do consultor. Não posso dizer nada diferente do que: os consultores no salão imobiliário estavam lindíssimos, ao menos em aparência. Por onde eu passava, só via consultores bem vestidos e cuidadosamente penteados e maquilados. Entretanto, para além das aparências, o primeiro dia pareceu-me um bocado caótico e as pessoas pareciam transpirar ansiedade e nervosismo.

Felizmente, desta vez, não foi a primeira impressão que ficou, houve uma segunda oportunidade de impressionar não somente com a imagem mas também com conteúdo. O salão durava ainda mais quatro dias. Dentro do imenso grupo de consultores que ali se apresentavam, percebi que alguns estavam absolutamente perdidos. As razões poderiam ser muitas: por não terem perfil para aquilo, por não se identificarem com o salão ou mesmo por situações vividas que possivelmente jamais saberemos.

Não posso deixar de mencionar os consultores que vestiam uniforme e/ou os que se punham atrás do balcão. Estes pareceram-me mais coesos, mais firmes, mas penso que isto se devia à proteção que tais situações proporcionam. Enfim, no primeiro dia tudo era tensão.
No segundo dia as presenças modificaram-se. A observação ganhou espaço, mas resultou em crítica e juízo de valor. Todos circulavam mais e os encontros fatidicamente aconteceram. Abriu-se a temporada de parcerias, comentários e ajustes. Muitos ajustes!

Do terceiro dia em diante a angústia da aparência deu lugar a elegância e à inovação. Os consultores estavam dedicados a si próprios, a fazer os contactos e a tirar selfies. Acompanhei algumas destas selfies em diferentes stands e perguntava-me se eles estavam a postar as mesmas em suas redes sociais profissionais. Preocupei-me enquanto alguém que zela todos os dias pela imagem dos seus consultores e mais ainda como fotógrafa dedicada ao ramo imobiliário.

Sim, eram imagens de assustar! Como disse noutros artigos, há que se ter atenção e cuidado com a sua imagem e postura profissional. Ser coerente é fundamental. Creiam, o problema não são as selfies, mas sim o objetivo das mesmas e o local onde são divulgadas. Na tentativa inútil de se fazer diferente podemos ter atitudes que são totalmente dispensáveis do ponto de vista profissional. As imagens criam marcas no imaginário. Dessa forma, coloco-vos as seguintes questões: como você quer ser conhecido e que tipo de clientes quer atingir com tais imagens?
Após tais perguntas sigo para as imagens dos stands.

Quando entrei no salão imobiliário para acompanhar a montagem do stand da empresa na qual trabalho, obtive uma primeira impressão que pouco se aproximou do que ali vivi nos dias a seguir a abertura. Estavam lá estruturas sem vida, sem luz, sem carácter. No dia seguinte as mesmas estruturas estavam reluzentes, sonoras, intensas e presentes. Algumas assemelhavam-se às casas ou espaços vividos no nosso dia-a-dia.

Era possível sentar, beber uma taça de vinho, dançar com um robô, ouvir música ao vivo, admirar obras de arte e muitas outras coisas que não me cabe aqui descrever. Estavam vivos os stands. Tais como as casas, era disso que eles precisavam: luz, cor e pessoas para lhes dar sentido.

Não me era permitido fotografar os stands de outros, mas diverti-me imenso a fotografar o espaço e as pessoas onde eu estava e a imaginar que tipo de fotografias eu faria no espaço de outros. Sim, porque fotografar um stand é semelhante a fotografar uma casa. Procuram-se ângulos, luz e, claro, arrumam-se coisas. Diferença? Não há tampas de sanitas para baixar. Pelo menos este ano não vi nenhuma!

Neste pós-salão apresentaram-me a página do facebook “O Agente Funini”, que se auto denomina Artista Imobiliário. Creio que está mais para humorista do que artista, penso eu. Entre os posts diários acerca do salão, três deles foram dedicados aos stands. Para que servem tais posts? Ao meu ver, para mais uma vez refletirmos acerca da imagem dos espaços.

Mais uma razão para compreender que fotografar uma casa ou um espaço, não é bater uma chapa. Posso dizer-vos que o stand que idealizei junto a toda equipa, resultou exatamente no que eu queria ver, vivenciar e fotografar. O stand ficou longe da perfeição mas muito próximo dos nossos objetivos: impressionar com a nossa imagem e divertirmos-nos nele.

Por fim chegamos ao ponto sobre as imagens das casas que lá estavam em diferentes plataformas. Imagens fantásticas? Bem… para o olhar de uma fotógrafa, há controvérsias. Das brochuras de apresentação até os folhetos das casas para venda, devo dizer que ainda há muito a melhorar. Em minhas mãos tive as fotografias de uma casa que valia muitos milhões de euros. Ora, uma casa que vale dezenas de milhões requer uma imagem cuidada e uma apresentação espectacular, mas não teve. Não foi simpático ver os consultores apresentarem fotografias soltas, ainda que bem impressas, de um imóvel numa caixa de luxo. Isto porque foi assim que o promotor resolveu divulgar este imóvel, ou melhor dizendo, não divulgar.

Nas fotografias via-se que o imóvel foi fotografado ao longo de um dia inteiro, ou mais. É possível ver como é a luz da casa desde a manhã até a noite. Entretanto, como deveria ter sido previsto, as fotografias soltas misturaram-se nas mãos dos clientes e a apresentação acabou por tornar-se confusa. No geral, quando nos é proposto algo para experienciar, seguimos a seguinte linha perceptiva: ver, ouvir e tocar, ou melhor, pôr a mão!

Assim, eis o porquê da necessidade de um suporte físico ou digital bem elaborado. Não vou abordar as experiências musicais (e seus excessos) durante o salão, sua contribuição ficou restrita à atração do público a meu ver. Quero e devo abordar a questão do suporte digital. Dos ecrãs com imagens fantásticas até as experiências com a realidade 3D. Questionei-me sobre qual seria o tipo de experiência digital realmente interessante para aquele tipo de espaço. Quais deveriam melhor se adequar ao público do salão imobiliário.

Não consegui ainda formar uma opinião sobre este assunto.Na verdade muitas questões se levantaram quanto a este tipo de abordagem. Daqui até a próxima feira espero ter encontrado algumas respostas sobre este tipo de exposição ou talvez o leitor possa escrever-me e contar sobre a sua experiência neste âmbito para ajudar-me a entender. Acredito que a cada dia mais é necessário e estimulante tudo o que está em direto ou que nos proporciona esta impressão.

Contudo, por hora, ainda vou me poupar de expressar qualquer observação sobre o assunto. Também houve quem tivesse estabelecido uma relação entre os imóveis e a arte. Pasmem, mais do que um stand fez isso! Pressuponho que o objetivo era atingir um cliente diferenciado, de luxo. Causaram boa impressão, ao menos na minha pessoa, mas as fotografias, o texto e a forma de apresentação poderiam ter sido mais meticulosos e/ou criativos para que o resultado se tornasse mais interessante.

Gostaria de seguir a escrever mais outras tantas coisas sobre o salão e as imagens, mas penso que a partir do que abordei aqui, cada um pode refletir ou reavaliar sua experiência sobre as imagens e a sua importância depois destes dias. Creio que este é um dos objetivos do salão imobiliário: conhecer, dar-se a conhecer, trocar e apreender.

Termino este artigo com a partilha de dois momentos que vivi junto ao Nuno Caetano, pessoa responsável por este blog, que definem bem o que é importante na estreita relação entre fotografia, imagem e um salão imobiliário. No primeiro dia que encontrei o Nuno, ele trajava um fato impecável e apresentava-se numa postura interessada, interessante e bem disposta. Trazia o cartão do Blog Imobiliário sempre consigo e entregava-o a todos que conhecia. Sua presença não passou desapercebida. No segundo momento em que encontrei o Nuno, ultimo dia de feira, ele estava completamente descontraído e poderia ter passado incógnito não fosse o fato de ser uma pessoa importante para mim. Calças de ganga, camisa branca de algodão confortável e alpargatas (ou coisa assim) com um mundo de brochuras que mal cabiam em seus braços e poderiam espalhar-se ao chão a qualquer instante, como terminou por acontecer depois de um querido abraço. Entre o ajudar a recolher aquele inventário sem fim de publicações e rir com a cena, perguntei o que ele estava ali a fazer daquela forma. Com um sorriso nos lábios o Nuno Caetano respondeu-me (e eu resumo a frase em uma palavra): estudar.
Fica a dica!