Quando se trata de fazer o retrato de alguém, especialmente de um consultor, de um profissional que tem como principal ferramenta de trabalho a sua pessoa, a sua imagem; a responsabilidade duplica. Primeiro porque só é visível aquilo que de alguma forma recebe luz. Portanto, a luz é fundamental. Depois devido ao compromisso ou mesmo a ligação intrínseca que o retrato fotográfico possui com a realidade. A ilusão aqui não tem vez. Eu até ouso dizer que é extremamente perigoso alterar a realidade, ou seja, a imagem de um consultor imobiliário.

Dito isto, vamos lá voltar ao artigo anterior onde conto acerca da experiência que tive: fotografei 27 pessoas em um intervalo de tempo mínimo e que desse por onde desse, era fundamental que as fotografias resultassem logo a primeira pois elas tinham que ir ainda naquela semana para a gráfica. No fim do artigo propus as perguntas que muitos me fizeram nestes dias. Como prometido, eis as respostas no artigo de hoje.

_ Liete, que roupa eu devo usar? Qual a melhor pose? Onde vamos fazer a fotografia? A que horas?

Em geral as Imobiliárias possuem um departamento de marketing e comunicação, ou mesmo uma agência que irá definir como você, consultor, deve ser apresentado ao mundo do imobiliário. Estas pessoas vão determinar como deve ser a imagem do consultor daquela agência imobiliária. A coerência é a regra. Também há quem faça um moodboard de roupas e poses para o consultor, o que devo dizer que nada tenho contra, por vezes isso até facilita o trabalho do fotógrafo. Também já fiz retratos que tinham como base outros retratos, a pessoa queria ser fotografada na mesma pose e com a mesma luz.

Contudo, quando me perguntam qual a melhor roupa, a melhor pose, onde devo ser fotografado e a que horas, a minha resposta é quase sempre a mesma: vamos falar sobre isso. Mais uma vez, como disse no artigo anterior, acredito piamente que o melhor é ser você. Não é a roupa que faz o consultor e não é a pose que o torna mais confiável ou confiante. Pode-se ter um cuidado com a cor mais adequada para o seu tipo de pele, cabelos, maquiagem e modo de ser. A pose… ui! A pose normalmente resulta sempre mal, tente ser espontâneo ou, se não sabe mesmo como agir ou o que vestir, aconselho que sigam à risca o aforismo grego: conhece-te a ti mesmo. Treinem em frente ao espelho, façam selfies, perguntem a família e aos amigos. Treinem com o seu telemóvel à exaustão, com vários tipos de roupas e poses e depois vá para a sessão fotográfica.

Já quando falamos da luz e do local, estes sim, podem fazer toda a diferença.
Ser fotografado em estúdio ou na rua, depende unicamente do propósito que tens. É fato que em estúdio há todo um controle da luz. O fotógrafo pode “brincar” com a luz como desejar. O equilíbrio entre luz e sombra é uma condição inegociável neste espaço, assim como a privacidade que, em princípio torna tudo mais fácil. Sem dúvida é um investimento que vale a pena.

Fotografar na rua, entretanto, é uma arte. Já ouviram falar de “street photography”? Pesquisem, é absolutamente fantástico este trabalho que teve seu início com renomados fotógrafos como Henri Cartier-Bresson, Robert Frank, Vivian Maier entre tantos outros. A Street Photography é a fotografia “franca”, sem subterfúgios, pelo menos é o que dizem. É a fotografia do momento perfeito. Contudo, quando temos que fotografar o consultor na rua não é tão franco assim e nem tão fácil, mas acreditem; pode ser muito divertido ou, como diz meu marido, excitante e emocionante!

Eu adoro fotografar o consultor na rua por duas razões. A primeira já o disse, em geral é muito divertido (ao menos para mim!). A segunda razão deve-se ao fato de ser o verdadeiro espaço de trabalho do consultor. Escolher mais do que um lugar é o melhor. Se conseguirmos a espontaneidade, essa sim é a cereja no topo do bolo. Entretanto há certas coisas que tornam o trabalho na rua mais difícil: a hora e a pouca ou nenhuma privacidade. Claro que sempre se consegue dar a volta a uma ou outra coisa, mas é muito mais trabalhoso e gasta-se imenso tempo.

Nestes dois dias que estive a fotografar vivi momentos maravilhosos, desde um consultor a mudar de roupa dentro do carro em movimento até o fotografar em um prédio totalmente decadente que encontra-se para venda, correr alguns riscos e sair suja como não sei o quê. Rimos de todas as maneiras, ainda que o meu sentimento fosse de total desespero. Sou mesmo apaixonada pelo que faço e quando se trata de mostrar, de tornar visível as pessoas que eu admiro, sequer consigo descrever o tamanho da responsabilidade que sinto. Fotografar em dois dias 27 pessoas (consultores e staff) com toda esta pressão e ainda por cima sentir-me contrariada por ter de fazer isso neste intervalo de tempo, foi o maior desafio que já vivi no imobiliário, penso eu. Ainda sigo a olhar por diversas vezes para estas fotografias e, acreditem, eles estão mesmo ali como são. Simplesmente lindos em sua essência. Amo o resultado.

Aprendi umas coisinhas importantes nesta experiência: “quando dois querem, um não larga e o outro não desiste” e, a sério, só mesmo o amor pelo que faço coroado com o meu profissionalismo fez-me superar a irritação de fotografar em um ritmo que não é o meu.
Ando cansada e em contagem regressiva para o SIL, por isso termino este artigo com um gigante obrigada a todos que se deixaram ser fotografados por mim e ao Blog imobiliário por me permitir partilhar tudo que vivi aqui!
Até já.