Estou a menos de dez dias para um dos mais divulgados salões imobiliários de 2018 em Portugal, o SIL – Salão Imobiliário de Lisboa. As opiniões sobre o mesmo são infinitas e chegam aos meus olhos e ouvidos das mais distintas formas.

Este ano, entretanto, atribuo um maior peso ao salão imobiliário pois terei fotografias expostas dos “meus” consultores feitas por mim. Claro que os consultores não são meus, são pessoas que trabalham na mesma agência que eu, mas assim penso e escrevo porque sinto um desejo de acarinhar estas pessoas que lutam diariamente pelos objetivos de seus clientes, por aspirações que precisam ou sonham ser realizadas.

Fotografar uma pessoa, em especial um consultor imobiliário, é dar às vistas o profissionalismo, a integridade e a harmonia existente em seu ser.

É comprometer-se com a imagem do outro. Portanto, o momento exige concentração.

Assim, quando nestes dias fui chamada para fotografar cada um dos consultores lembrei-me imediatamente do que disse John Peter Berger, crítico de arte, pintor e escritor*:

“o visível tem sido, e continua a ser, a principal fonte humana de informação acerca do mundo. É do visível que parte toda a orientação. Até percepções provenientes dos outros sentidos são muitas vezes traduzidas em termos visuais. (…) O visível traz o mundo até nós.”

Busquei nestas frases a inspiração para fazer os retratos. Não sei se muitos percebem, mas há um abismo gigante entre o que um fotógrafo vê e como a pessoa a ser fotografada se vê. É preciso construir uma ponte para que fotógrafo e fotografado encontrem-se, pois somente a partir deste encontro é possível obter um resultado, o retrato, o visível que o levará até o seu futuro cliente.

Parti para a execução. O prazo era pequeno e exigia um certo pragmatismo.

A primeira pergunta se impôs: onde deseja ser fotografado? Depois de obter a resposta seguíamos para o local e a segunda pergunta era então proposta: o que deseja tornar visível? Essa já era mais difícil, isto porque como humanos vivemos momentos imponderáveis como foi o caso de Filomena**, que minutos antes de ser fotografada por mim soube que a mãe tinha sido internada em estado grave. Graças a uma cumplicidade construída em quase um ano de convivência, ela decidiu prosseguir e as lágrimas deram espaço à firmeza e objetividade.

O resultado? Bem, quando olhamos juntas para fotografia impressa houve um reconhecimento mútuo de que a imagem capturada era “capaz de produzir uma fé na realidade do não-visível” * e causar uma impressão mental naquele que iria ver o retrato. Na imagem a sua força profissional se sobrepôs a fragilidade do momento que estava a viver.

Em dois dias fotografei 27 pessoas, ou seja, já estou a ser cotada para a o próximo filme do Missão Impossível…

Brincadeiras à parte, devo dizer que cada fotografia que fiz, editei e tratei, ganhou espaço no meu mundo visual. Ando a dormir e a acordar com estas imagens. A cada dia gosto mais e mais de pegar estas fotografias impressas e olhar demoradamente. A cada dia reconheço mais os “meus” consultores que por sua vez, identificam-se mais com os seus retratos.

Missão cumprida. Os consultores foram eternizados nas fotografias como são no dia-a-dia. É verdade que os dias não são iguais e nós também não, mas lá está um momento vivido em que buscamos juntos encontrar a essência do que cada um é na maior parte do tempo de suas vidas.

Tudo isto para dizer que este artigo tem um único propósito: fazer com que você, consultor, reflita sobre o seu retrato, a sua imagem. Tenha em mente que o retrato, ao meu ver, deve transmitir o que você realmente é ou o que está em busca de ser. Nada mais e nem menos.
Dito isto as seguintes perguntas devem agora ser colocadas:
_ Que roupa tipo de roupa eu devo usar?
_ Onde eu devo ser fotografada, em um estúdio ou na rua?
_ Qual a melhor luz?
As respostas estão no meu próximo artigo.
Este, eu desejo terminar com a seguinte frase de Berger:

“O que muda, quando estás presente em carne e osso, é o facto de te tornares imprevisível. Cada gesto que faças é-me desconhecido. Sigo-te. Tu ages. E no que fazes, vejo-me de novo enamorado.”

Boa semana, nos vemos no SIL.

*https://en.wikipedia.org/wiki/John_Berger

** Nome Fictício